Como Medir Performance em P&D 3 – Gestão do Conhecimento

E como você mede o quanto seu funcionário utiliza o que a empresa disponibiliza em termos de conteúdo?

A atividade de desenvolvimento é uma atividade altamente dependente da criatividade. Porém, avaliar uma pessoa como criativa ou não criativa é algo problemático e ineficiente: embora seja correto pedir pessoas criativas numa descrição de emprego, é um tanto errado avaliar a pessoa em termos de criatividade.

O Problema da Avaliação da Criatividade

Eu não considero viável criar um indicador para “criatividade”. Primeiro que medir isso é extremamente complexo, segundo, desconheço engenheiro, cientista ou qualquer um que não seja psicólogo, pedagogo, psiquiatra ou psicanalista com capacidade para tal.

MUITO MENOS ainda aquele bando de gente vendendo serviços de coaching com curso de 1 dia.

Então, tentar fazer isso é perda de tempo. Vou listar UMA razão:

A quantidade de ideias originais

Não somos uma máquina de ideias originais. Nem mesmo o mais ruptivo artista o é. Muitas vezes, é possível perceber semelhanças em toda sua obra. Essa semelhança é a aplicação de conhecimento e técnicas acumulados para a geração de novo resultado.

Então um dos jeitos de avaliar a criatividade de alguém é avaliar como ele se porta sobre o conhecimento existente. Mas mesmo em partes, não é tarefa fácil, entretanto, é muito mais factível avaliar isso do que avaliar o ser como criativo ou não.

Este problema de avaliação da criatividade vai ser base para várias outras métricas.

A Gestão do Conhecimento

Primeiro há um pré-requisito: é impossível avaliar a verdadeira performance de um desenvolvedor sem que a empresa tenha um modelo de reaproveitamento de conteúdo. Antes de avaliar o funcionário, a empresa deve ter seus sistemas e processos de desenvolvimentos bem organizados.

Uma companhia que aprende sabe guardar seu aprendizado. A gestão do conhecimento é fundamental para poder avaliar os funcionários. Um gestor que realize a gestão do conhecimento dentro de sua empresa pode e consegue avaliar a performance dos seus funcionários de maneira confiável; seu julgamento se torna menos heurístico e mais alinhado com o que ele experimenta como resultado.

A Avaliação do Funcionário sobre o Conteúdo existente

É como avaliar a habilidade do funcionário em utilizar peças de Lego, no caso, um “Lego Intelectual”. Eu explico: saber manusear e criar conhecimento são tão importantes quanto ter ideias originais, sendo que muitas vezes uma ideia original parte de um conhecimento existente e vai se transformando até não ter mais semelhança com o ponto de partida.

Não precisar reinventar a roda toda vez é talvez a maior dificuldade dos engenheiros. Não foi uma ou duas vezes, mas centenas de vezes em que presenciei desenvolvedores aplicarem a postura de “terra arrasada”, ou seja, jogar fora todo o conteúdo existente e querer fazer tudo novamente. No final, o ganho foi mínimo.

Reuso de Ideias como Fator de Performance

Então como avaliar performance, usando estes dois parâmetros como base? Basta avaliar os aspectos:

  • O desenvolvedor consegue aplicar o que aprendeu?
  • O desenvolvedor sabe usar conhecimento existente na companhia?
  • Ele é organizado no armazenamento de conteúdo (para uso posterior)?
  • Ele é rápido em recordar de solução já desenvolvida que pode ser aplicada a resolver algum problema novo?
  • As soluções de problema adotadas tem foco em reuso?

E ao responder essa pergunta sobre alguém do time, já se tem uma medida de performance. É, de fato, um pouco subjetivo. Porém, no artigo anterior desta série, eu explico como tornar métricas subjetivas em algo mensurável.


Mais alguma outra pergunta para este indicador? Deixe um comentário!

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Sobre rftafas 183 Artigos
Ricardo F. Tafas Jr é Engenheiro Eletricista pela UFRGS com ênfase em Sistemas Digitais e mestre em Engenharia Elétrica pela PUC com ênfase em Gestão de Sistemas de Telecomunicações. É também escritor e autor do livro Autodesenvolvimento para Desenvolvedores. Possui +10 anos de experiência na gestão de P&D e de times de engenharia e +13 anos no desenvolvimento de sistemas embarcados. Seus maiores interesses são aplicação de RH Estratégico, Gestão de Inovação e Tecnologia Embarcada como diferenciais competitivos e também em Sistemas Digitais de alto desempenho em FPGA. Atualmente, é editor e escreve para o "Repositório” (http://161.35.234.217), é membro do editorial do Embarcados (https://embarcados.com.br) e é Especialista em Gestão de P&D e Inovação pela Repo Dinâmica - Aceleradora de Produtos.
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Fernando Ginez
Fernando Ginez
4 anos atrás

Olá Tafas, o que você quer dizer por “Gestão do conhecimento”? Abraços